16 de julho de 2012

Exemplos de sensibilidade, humanidade e amor ao próximo

Livros à caça de novos leitores

Bibliotecas comunitárias fazem obras literárias transitarem por diversas mãos e cativam usuários. Entre eles, catadores de Curitiba.


Era apenas uma ferramenta de trabalho até que um dia os livros viraram uma nova ocupação. Sem querer ganhar dinheiro com isso, Josiane Mayr Bibas, Maria Luiza Mayr e Ângela Marques Duarte têm um objetivo em comum: tirar os livros parados nas estantes alheias e fazê-los circular por muitas mãos. Para isso, elas transformam caixas de frutas e livros usados em bibliotecas comunitárias, em que qualquer pessoa pode se converter em leitor.
O projeto Freguesia do Livro começou quando as apaixonadas por leitura Josiane e Ângela decidiram abandonar os consultórios de fonoaudiologia para viver outras experiências. “Como usávamos os livros nas consultas, tínhamos bastante. Resolvemos montar uma biblioteca comunitária na Vila Zumbi, em Colombo, em fevereiro do ano passado”, conta Josiane. Para manter esse espaço, as duas passaram a pedir doações para colegas e amigos. “Vieram muitos livros e resolvemos montar mais bibliotecas.”
Em março deste ano, a administradora de empresas Maria Luiza se juntou ao grupo e as três, que também são artesãs, passaram a personalizar caixas de frutas com a marca do projeto. Dentro são colocados de 30 a 40 livros que ficam disponíveis em estabelecimentos comerciais e empresas. “Trabalhamos com o conceito de livro livre para estimular a leitura. A pessoa encontra [o livro] numa caixa, pega, lê e leva para outra pessoa ou lugar. Não existe carteirinha e nem data de devolução”, explica Josiane.

EcoCidadão freguês
Com diversas linhas de atuação, o Freguesia também chega aos EcoCidadãos, programa da prefeitura de Curitiba que ajuda na organização de materiais recicláveis coletados na cidade. Hoje são sete barracões atendidos, mas outros já estão em processo de implantação. “Fazemos um contato anterior, explicamos a ideia e levamos a caixa. A gente explica para os catadores como é que funciona e eles acham ótimo”, fala Josiane.
A aproximação dos dois projetos surgiu depois que um casal de voluntários do Freguesia foi a um dos galpões do programa municipal para levar publicações que estavam em péssimas condições e não poderiam mais ser aproveitadas. Naquele dia, uma das catadoras se encantou por um dos volumes e perguntou se não tinha outro livro da Clarice Lispector. Pronto, foi a inspiração para o Freguesia construir mais um capítulo em parceria com a Aliança Empreendedora, entidade responsável pelos EcoCidadãos.
Um dos entusiastas do projeto é Francisco Joel Teixeira de Almeida, 53 anos, um dos associados na Catamare, EcoCidadão localizado no Rebouças. “Acho essa ideia maravilhosa, linda. O que a sociedade precisa fazer pelas pessoas com menos condições financeiras é dar esse outro alimento, que é a leitura.” Na Catamare, a caixa do Freguesia do Livro está há pouco mais de um mês, mas já desperta bastante a curiosidade dos catadores. “Eu acho fantástico eles levarem livros para a gente. Acho que isso convence as pessoas a lerem mais. Duas colegas já pegaram livros e levaram embora para ler, fiquei tão feliz com isso”, conta Almeida.

Iniciativa
Minibiblioteca é morada de grandes autores no Água Verde
Outra iniciativa de leitura tem chamado a atenção em Curitiba. Em um endereço do bairro Água Verde, foi instalada uma casinha com portas de vidro e sem trancas. Dentro, uma porção de obras e um recado: “Livros não devem ficar guardados”. A seguir, estão as orientações para quem deseja doar um volume ou pegar uma história para ler. Não existem regras. Qualquer um pode emprestar e devolver um livro quando quiser, sem pedir para ninguém, fazer carteirinha ou pagar multas por atraso.
A minibiblioteca da Rua Petit Carneiro fica no número 453 e é cuidada por Aida Teixeira, dona da loja de artigos para saúde onde fica a casinha. A comerciante conta que a ideia de construir o pequeno acervo veio na bagagem de sua filha e do genro de uma viagem para a Europa.
“Lá, a prática de deixar livros em lugares públicos é bastante comum. Para proteger da chuva, as pessoas colocam uma caixinha com os livros que já leram em árvores ou na frente das casas.”
Com a ajuda de um artesão, a casinha foi construída e decorada por uma amiga de dona Aida. “Os primeiros livros eram uma parte nossa e outra parte doada por autores que ficaram sabendo da ideia”, conta a comerciante. “Quando contei para outra amiga sobre a minibiblioteca, ela disse que não iria durar uma semana. Esses dias falei para ela que já funciona há mais de um semestre.” Instalada desde outubro de 2011, a casinha dos livros é pouco maior do que uma caixa de correspondências e cabem bem acomodados 50 volumes. 

Rotatividade
Aida fala que já passaram pela minibiblioteca grandes clássicos e autores bastante conhecidos, como Paulo Coelho. “Esses dias deixaram uma coleção completa do Harry Potter e o interessante é que depois foram levados embora por pessoas diferentes. Um tempo atrás deixaram uma porção de Bíblias e todas elas foram pegas também.” Mas o acervo de dona Aida ainda não consegue atender a todos os públicos. “Precisamos muito de livros infantojuvenis. As crianças passam, gostam, mas nem sempre tem algo para eles”, diz.
Para doar é só entrar em contato pelo telefone (41) 3016-1041 ou simplesmente chegar e colocar o livro na minibiblioteca.


3 de julho de 2012

Um dia...

Um dia o meu cavalo voltará sozinho
E virá sentar-se naquele mesmo café,
A ler, com as pernas cruzadas, o jornal do dia
- alheio inteiramente à espantação do mundo.

Mário Quintana

25 de junho de 2012

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain


O fabuloso destino de Amélie Poulain é aquele filme do tipo "de cabeceira". Assim como temos livros de cabeceira, temos filmes também. E esse é o meu.
Não sou cinéfila nem nada parecido.. vou ao cinema quando filmes adaptados de alguma obra literária estão em cartaz, ou algum filme de época que aparente contar uma grande história, ou então aqueles romances água com açúcar, necessários a qualquer mulherzinha que se preze, e, claro, os filmes que contam a história (ou parte dela) do Brasil ou alguma região.
O que me levou até Amélie? Não me lembro. Só sei que uma alma abençoada (também não lembro quem) me indicou. E de tão bem recomendado que foi, comprei o filme.
Assisti milhões de vezes e ele sempre me pareceu diferente.
A história de Amélie não teria nada de incrível, não fosse a simplicidade e a riqueza de detalhes que constroem sua trajetória. A delicadeza, as flores, as imagens de sonho, a doçura e a sensibilidade, unem-se à uma trilha sonora de fazer chover os olhos, e dão forma à Amélie e sua linda história.
Não, não vou contar a história. Gostaria de escrever parágrafos e mais parágrafos sobre esse filme, mas me faltam palavras. Só sei sentí-lo.
Mas posso dizer que é uma história lindíssima, doce e pura.
É daquelas histórias que embalam noites chuvosas, noites quentes de verão, noites geladas de inverno. É daquelas histórias para ver com os olhos e ouvidos bem atentos e o coração aberto. 

Abaixo, segue o link de um vídeo do música de Yann Tiersen, que compôs a magnífica trilha sonora do filme. A música abaixo se chama "A Quai".

http://www.youtube.com/watch?v=lS5vpMBkzlY&feature=related 


22 de junho de 2012

de.coração I

Além de literatura, a partir de hoje começo a postar sobre decoração barata, reciclada e alternativa.
No meu outro blog amortecidos, feito em parceria com meu excelentíssimo namorado, postamos nossas invenções nessa área. E é roubando um post de lá, que inicio a série de.coração.

O nome é de.coração, porque vejo o artesanato como uma forma de expressão também, afinal de contas, é arte. E toda arte, tem que passar pelo coração para se tornar realidade.

Aí vai uma das nossas invenções... inspirem-se e criem, é gostoso demais!

Fazendo arte: luminária

18 de junho de 2012

Uma das mais belas canções do Chico.. poesia pura.

O que será (À flor da pele) - Chico Buarque


O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo